← Voltar para RelatóriosSemana 4 · 25 de ago a 31 de ago de 2026

Sabatina na Globo eleva engajamento em 39% na quarta semana

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Esta é a quarta edição do relatório Brasil Online, que apresenta o acompanhamento sistemático do debate político nas redes sociais realizado pelo grupo OBSERVA — Observatório de Conflitos na Internet — ao longo de todo o ciclo das Eleições Presidenciais de 2026. O objetivo desta série é mapear, de forma contínua, como a disputa entre os campos de esquerda e direita se manifesta nas principais plataformas digitais do país, combinando a análise de dados computacionais com análise qualitativa de conflitos online.

O recorte desta rodada compreende o período de 25 a 31 de agosto de 2026, que teve como destaque a sabatina dos candidatos realizada pela TV Globo durante a semana. Foram analisadas as publicações e interações de 162 perfis de lideranças políticas, influenciadores e jornalistas de destaque no debate público, distribuídos entre as plataformas X (Twitter), Instagram e TikTok. A partir desses dados, o relatório combina indicadores quantitativos de volume e interações, análise automatizada de sentimentos e emoções, com uma leitura qualitativa dos principais conflitos discursivos identificados no período.

Os conflitos identificados foram categorizados em 3 tipos: político, políticas públicas e moral. Abaixo estão os destaques:

  • Político:
    • Campanha eleitoral 1: a sabatina de Augusto Cury (Avante) gerou questionamentos pela direita não bolsonarista e pela esquerda sobre a preparação do candidato, indicando uma convergência discursiva entre estes dois pólos;
    • Campanha eleitoral 2: a suspensão das contas de Renan Santos nas redes sociais, decisão posteriormente revertida pela Justiça Eleitoral, foi comemorada pela esquerda e por parte da direita bolsonarista e convergiu na deslegitimação do Missão. Por outro lado, os ex-MBL usaram o caso para atacar as decisões da Justiça brasileira, ao mobilizar o discurso de perseguição do “sistema”;
    • Campanha eleitoral 3: as disputas entre as campanhas sobre o diagnóstico de indicadores atuais e que candidato representa o “melhor” para o futuro do país. No TikTok, estiveram mais presentes as publicações de agendas de campanha, exaltação de biografia dos candidatos(as), etc;
  • Políticas públicas:
    • Segurança pública: tema também mobilizado nas semanas anteriores, predominantemente trazido pela direita (bolsonarista e não bolsonarista), sem a identificação de uma resposta equivalente da esquerda. O candidato Renan Santos (Missão) foi responsável por trazer um viés mais extremista, combinando elementos de pânico moral e apelos do punitivismo penal;
  • Moral:
    • Ofensa dirigida: fala do presidente Lula durante um ato em Minas Gerais foi compartilhada pela direita com um enquadramento negativo, indicando que o presidente estaria menosprezando o trabalho de garis e profissionais de limpeza pública. Em resposta, perfis da esquerda denunciaram que a declaração tinha sido retirada de contexto e manipulada. Também foram registradas ofensas, críticas misóginas e discursos combativos dirigidos aos profissionais dos meios de comunicação, que já haviam circulado na semana anterior;
    • Escândalo político 1: tensionamento em torno das relações de figuras institucionais e não-institucionais com Daniel Vorcaro e o Banco Master, em que cada grupo busca delimitar e qualificar as relações do adversário com Vorcaro;
    • Escândalo político 2: a corrupção se manteve como tema ao longo da semana, com a direita indicando a proximidade de Lula e da lobista Roberta Luchsinger, e a esquerda associando a relação da família Bolsonaro com o financiamento do filme Dark Horse por Vorcado, rachadinhas, compras de imóveis com dinheiro vivo e relação com milicianos;
    • Gênero e sexualidade: disputa sobre reconhecimento de direitos. Na direita bolsonarista, Lucas Pavanato questionou a legitimidade de Erika Hilton frente a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Perfis de esquerda, por outro lado, constroem o discurso de valorização da participação política das mulheres, da diversidade e ampliação de direitos.

Como observado desde o começo do estudo, a polarização nas plataformas se estrutura em torno da produção de discursos de antagonismos entre identidades políticas, com a mobilização de elementos ideológicos, afetivos e pragmáticos. Dentro do campo da direita brasileira é possível observar uma clivagem e uma disputa para se colocar como o antagonista da campanha de reeleição de Lula. A novidade desta semana foi a entrada de Augusto Cury como uma alternativa, menos extremista e conflitiva, do campo, que se antagonizou com a esquerda em torno de elementos ideológicos.

Enquanto que os perfis alinhados ao bolsonarismo e à candidatura de Renan Santos estiveram presentes em diferentes conflitos com a esquerda em torno de conteúdos das campanhas, da retórica de endurecimento de políticas de segurança, escândalos políticos ligados à corrupção e representatividade de gênero, conflitos que já apareceram nos relatórios anteriores e parecem que serão estruturais nas eleições deste ano. Perfis de esquerda polarizaram em torno de temas de campanha, representatividade de gênero e diversidade, escândalos políticos de corrupção e políticas de defesa da qualidade de vida do trabalhador (fim da escala 6x1).

Nesta quarta edição, houve um aumento de 40,75% no número de publicações em comparação à semana anterior, e um aumento de 39,4% no volume de interações, configurando assim o período mais ativo nas redes desde o início do acompanhamento (04/08/26). A rede que registrou o maior aumento nas publicações foi o Instagram (+95,81%), sendo que o TikTok teve uma pequena redução no número de publicações (5,82%) e uma redução de quase 60% nas interações. Os dados também reforçam o quadro das semanas anteriores: a esquerda com maior número de publicações e os perfis de direita com maior número de publicações.

Durante o período, houve pouca variação no número de publicações únicas ao longo dos dias, com uma redução no sábado (algo que também foi observado nas semanas anteriores). A interação acompanhou a movimentação do número de publicações.

Os sentimentos e emoções predominantes nos perfis tanto de esquerda como de direita repetem o mesmo padrão das semanas anteriores. Os dados analisados mostram que as publicações dos perfis de esquerda tiveram maior ocorrência de sentimentos positivos (46,7%), tendo como emoção predominante alegria em 52,7% das postagens. Por outro lado, os perfis de direita tiveram maior ocorrência de conteúdos negativos (47,4%), destacando as emoções alegria, com a incidência de 52,7% e raiva, com 30,5%.

Uma publicação com sentimento negativo pode ser classificada com emoções como alegria, raiva, surpresa e tristeza.

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