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Crise no STF sobre o Banco Master eleva interações em 22,5% na quinta semana

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Esta é a quinta edição do relatório Brasil Online, que apresenta o acompanhamento sistemático do debate político nas redes sociais realizado pelo grupo OBSERVA — Observatório de Conflitos na Internet — ao longo de todo o ciclo das Eleições Presidenciais de 2026. O objetivo desta série é mapear, de forma contínua, como a disputa entre os campos de esquerda e direita se manifesta nas principais plataformas digitais do país, combinando a análise de dados computacionais com análise qualitativa de conflitos online.

O recorte desta rodada compreende o período de 1 a 7 de setembro de 2026, que teve como destaque a sabatina dos candidatos realizada pela TV Globo durante a semana. Foram analisadas as publicações e interações de 162 perfis de lideranças políticas, influenciadores e jornalistas de destaque no debate público, distribuídos entre as plataformas X (Twitter), Instagram e TikTok. A partir desses dados, o relatório combina indicadores quantitativos de volume e interações, análise automatizada de sentimentos e emoções, com uma leitura qualitativa dos principais conflitos discursivos identificados no período.

Nesta semana, a crise institucional no Supremo Tribunal Federal com as trocas de acusações públicas entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, envolvendo as investigações do Banco Master, dominou os principais conflitos nas plataformas, mobilizando diferentes linhas de antagonismo e polarização. Além disso, também foram identificados outros conflitos, com menor visibilidade, sendo o X a plataforma com maior diversidade de conflitos.

Para uma melhor análise os conflitos são categorizados em três tipos: político, moral e econômico, sendo que os conflitos do caso do Banco Master envolvem uma dupla dimensão: político e moral. Segue abaixo os principais destaques:

  • Político:
    • Relações institucionais: o caso Banco Master permaneceu como o principal organizador do conflito político nas três plataformas. Perfis de direita, principalmente a direita bolsonarista, aproveitou as denúncias das relações de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Voccaro, feitas pelo juiz André Mendonça, para mobilizar um discurso de crise de legitimidade do STF e associação de Moraes com corrupção. Outra estratégia de antagonismo, foi a associação do escândalo envolvendo os diretores da PF, para vincular o escândalo com o governo Lula. Por outro lado, o campo progressista, questionou a seletividade e interesses políticos de André de Mendonça em direcionar seus ataques para Moraes e a Polícia Federal. Os perfis de esquerda defenderam que todas as investigações e denúncias envolvendo o caso Master se tornem públicas, para evitar o uso eleitoral;
    • Campanha eleitoral: As mobilizações do 7 de Setembro produziram uma disputa sobre o próprio significado de independência nacional, sobre quem pode reivindicar o patriotismo e definir quais forças ameaçam a soberania brasileira. No campo bolsonarista, a data é utilizada principalmente para convocar a população às ruas contra Alexandre de Moraes e o STF e a independência passa a significar a libertação do país de uma ditadura interna representada por instituições e autoridades que teriam se afastado da vontade popular. Já na comunicação de Lula, a data é associada à soberania diante de outros países, à capacidade de o Brasil decidir seu próprio destino e à construção de um projeto baseado em desenvolvimento, educação, tecnologia e indústria;
    • Políticas Públicas (trabalho): O fim da escala 6x1 continuou organizando a tentativa da esquerda de reivindicar para si a representação dos interesses dos trabalhadores. A PEC, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, movimenta disputas em que a esquerda lulista acusa a direita bolsonarista de defender patrões, enquanto eles defenderiam os trabalhadores;
    • Segurança pública: tema também mobilizado nas semanas anteriores, foi trazido pela direita associando a insegurança e aumento da violência aos governos petistas, enquanto a esquerda lulista associa o crime organizado à figura de Flávio Bolsonaro, chamando-o de “mascote da milícia”;
  • Moral:
    • Escândalo político: o envolvimento de juízes do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro, além da crise política institucional também teve uma dimensão moral. Perfis de direita aproveitaram as denúncias contra Moraes para associar o magistrado com uma figura autoritária. Outra linha discursiva, dentro de uma retórica evangélica e conservadora de vários perfis da direita, mobilizou um discurso que apresenta André Mendonça como um representante do bem, que tem a missão de combater o mal representado por Moraes e um sistema corrupto. No campo da esquerda, o discurso foi direcionado para denunciar o envolvimento de Nikolas Ferreira com Vorcaro, após vazamento de áudio de conversa do deputado com o banqueiro;
  • Econômico:
    • Política econômica: A situação econômica foi mobilizada pelos dois campos por meio de diagnósticos opostos sobre o presente. O governo Lula é apontado pela direita como responsável por deteriorar a situação econômica, e a direita afirma ter administrado melhor mesmo em condições excepcionais, como a pandemia. Por outro lado, Lula apresenta o movimento inverso, associando o governo à recuperação econômica. A taxação das compras internacionais, em especial a “taxa das blusinhas”, foi apresentada pela direita como parte de uma política de aumento da tributação e de controle sobre os consumidores, enquanto a esquerda lulista celebrou o fim da taxa federal de 20% para compras internacionais de até US$ 50 e a decisão de proteção do “bolso do brasileiro”.

Como observado desde o começo do estudo, a polarização nas plataformas se estrutura em torno da produção de discursos de antagonismos entre identidades políticas, com a mobilização de elementos ideológicos, afetivos e pragmáticos. Nesta semana, de 1 a 7 de setembro, os desdobramentos das investigações do caso do Banco Master, com o envolvimento de juízes do STF, levou o Supremo brasileiro para o centro dos conflitos nas plataformas. Ao mesmo tempo que sinaliza uma grave crise no Judiciário brasileiro, também produz impactos na disputa eleitoral, sendo mobilizado como um elemento chave no antagonismo político.

Nesta quinta edição, houve um aumento de 2,8% no número de publicações em comparação à semana anterior, e de 22,5% no volume de interações, configurando assim o período mais ativo nas redes desde o início do acompanhamento (04/08/26). A rede com maior número de publicações foi o Instagram, mas foi o X a plataforma com maior aumento nas publicações (17,5%) e interações (aprox. 70%), sendo que o TikTok teve uma pequena redução no número de publicações (-4,74%) e nas interações. Os dados também reforçam o quadro das semanas anteriores: a esquerda com maior número de publicações e os perfis de direita com maior número de interações.

A evolução diária de publicações e interações por alinhamento indicou que o engajamento dos perfis da direita tiveram dois grandes picos: no dia 01/07 impulsionadas pelas denúncias contra Alexandre de Moraes e ataques ao governo Lula, por perfis da direita bolsonarista, e pelas publicações dos atos do 7 de setembro. Nos perfis de esquerda, o pico de engajamento foi no dia 03/09 com a publicação de Lula sobre o escândalo do Banco Master.

Os sentimentos e emoções predominantes nos perfis tanto de esquerda como de direita repetem o mesmo padrão das semanas anteriores. Os dados analisados mostram que as publicações dos perfis de esquerda tiveram maior ocorrência de sentimentos positivos (43,2%), tendo como emoção predominante a alegria nas postagens. Por outro lado, os perfis de direita tiveram maior ocorrência de conteúdos negativos (49,6%), com destaque para publicações que combinam emoções de raiva com alegria, uma mistura de mobilização (para o 7 de setembro) e comemoração de ataque a adversários (Alexandre de Moraes e Lula).

O escândalo envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master dominou o debate político nas plataformas, orientado dentro de uma dupla dimensão: institucional e moral, que articula acusações de corrupção, questionamentos sobre relações entre a Suprema Corte, seus ministros e figuras políticas. As múltiplas camadas que movimentam esse conflito mobilizam diferentes estratégias de antagonismo político, que combinam para além de identidades ideológicas, elementos religiosos simbolizados na figura de André Mendonça e de autoritarismo de Alexandre de Moraes.

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