← Voltar para RelatóriosSemana 2 · 11 de ago a 17 de ago de 2026

Início da campanha eleva o engajamento em 35,8% na segunda semana

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Esta é a segunda edição do relatório Brasil Online, que inaugura o acompanhamento sistemático do debate político nas redes sociais realizado pelo grupo OBSERVA — Observatório de Conflitos na Internet — ao longo de todo o ciclo das Eleições Presidenciais de 2026. O objetivo desta série é mapear, de forma contínua, como a disputa entre os campos de esquerda e direita se manifesta nas principais plataformas digitais do país, combinando a análise de dados computacionais com análise qualitativa de conflitos online.

O recorte desta rodada compreende o período de 11 a 17 de agosto de 2026, marcado pelo início do período de campanha eleitoral, no dia 16. Nele, foram analisadas as publicações e interações de 162 perfis de lideranças políticas, influenciadores e jornalistas de destaque no debate público, distribuídos entre as plataformas X (Twitter), Instagram e TikTok. A partir desses dados, o relatório combina indicadores quantitativos de volume e interações, análise automatizada de sentimentos e emoções, com uma leitura qualitativa dos principais conflitos discursivos identificados no período.

Nessa segunda edição, podemos verificar que houve uma pequena redução do número de publicações dos perfis acompanhados, mas um aumento de 35% no volume de interações. Assim como observado na semana anterior, os perfis de esquerda foram mais produtivos, mas as publicações da direita alcançaram maiores métricas de engajamento.

Ao contrário do observado na semana anterior, o pico de publicações e interação ocorreu no domingo, 16/08, dia marcado pelos eventos de lançamento das campanhas, que impulsionaram o debate político online, em ambos espectros políticos.

Para essa semana, o relatório apresenta uma análise automatizada de sentimentos e emoções. Os dados analisados mostram que as publicações dos perfis de esquerda tiveram maior ocorrência de sentimentos positivos (46%), enquanto que os conteúdos da direita predominaram sentimentos negativos (48%). Em relação às emoções, predomina na esquerda (51%) e na direita (44%), impulsionado por postagens dos lançamentos das campanhas. A segunda emoção mais presente foi a raiva, onde a direita teve 32% e a esquerda 28%. Em uma análise temporal, podemos ver que no período a Direita convive com um discurso proporcionalmente mais negativo e mais raivoso, enquanto a Esquerda tem um discurso mais positivo e mais alegre.

Em relação à análise dos conflitos, podemos observar a inclusão de novos temas de polarização nas plataformas, estruturados em 3 tipos de conflitos: políticos, políticas públicas, economia e moral.

  • Conflito Político:
    • Campanha 1: ataques pessoais entre as campanhas e candidatos, e valorização da figura individual dos candidatos (personalismo político), com a mobilização de discursos de vitimização e credibilidade. Destaque para o antagonismo dentro do campo da direita entre a Família Bolsonaro e os políticos do partido Missão que visam se colocar como a opção “anti-Lula”. Renan Santos (Missão) apostou na radicalização do discurso e busca se posicionar como o representante da “renovação política”;
    • Campanha 2: embates entre políticos de direita e esquerda em relação à questão da representatividade, principalmente envolvendo às mulheres;
    • Relações Institucionais: o caso envolvendo o juiz do STF, Flávio Dino, com um jornalista no Maranhão foi politizado nas plataformas. Perfis de direita buscaram explorar o episódio para atacar o Judiciário, pela mobilização do significante “liberdade de imprensa” e atuação considerada política dos magistrados, com a retomada da retórica de “perseguição política”.
  • Políticas Públicas e Economia:
    • Políticas de Saúde: o aumento do casos de sarampo abriu uma disputa pela responsabilização e o papel do Estado e a retomada de discursos anti-vacina, com o argumento da “liberdade individual”, presente no período da pandemia da Covid-19;
    • Trabalho e Renda: disputa ideológica sobre quem seria mais capaz de promover a melhoria da economia e da renda da população. A esquerda apostou no discurso de melhoria da “qualidade de vida”, confiando no fim da escala 6 x 1. A Direita tentou responsabilizar o governo Lula pela inflação e endividamento das famílias;
    • Segurança Pública: conflito indireto no qual os perfis de direita mobilizaram significantes para responsabilizar à esquerda pela violência. Os conteúdos associavam o governo Lula e outros políticos de esquerda como coniventes, permissivos ou ineficientes diante do crime.
  • Moral:
    • Escândalos políticos: assim como observado na semana anterior houveram movimentos de atribuir o adversário a escândalos políticos. Perfis de esquerda associaram Flavio Bolsonaro (e sua família) ao escândalo do Banco Master. Na direita, houve uma fragmentação:
      • Perfis bolsonaristas exploraram as investigações envolvendo “Lulinha” para associar o governo Lula com corrupção;
      • Perfis ligados ao partido Missão, buscaram reivindicar que o único “honesto” seria Renan Santos e opção a polarização entre lulismo x bolsonarismo, não como uma terceira via moderada, mas por uma radicalização política;
    • Representatividade das mulheres: eventos como o banimento de mulheres trans das competições nacionais de vôlei e o pedido de cassação da deputada Erika Hilton abriram espaço para a expressão da polarização afetiva entre os campos políticos. A direita mobilizou um discurso de “cuidado com as mulheres” e antagonização a mulheres trans. Nos perfis de esquerda, o discurso se orientou pela representação de lideranças femininas.

A polarização é sustentada pela produção de discursos de antagonismos que articulam elementos ideológicos, afetivos e programáticos. Os conflitos nas plataformas não somente se estruturam em torno de “guerras de narrativas”, com apelos emocionais, mas também é possível observar que dentro de cada alinhamento político há diferentes posicionamentos políticos que estruturam os conflitos e atuação dos atores de cada campo. Nessa semana foi possível observar uma disputa interna na direita, no qual Renan Santos (Missão) busca disputar com o bolsonarismo o papel de antagonista de Lula e reivindicar para si o papel de “anti-sistema”.

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