← Voltar para RelatóriosSemana 8 · 22 de set a 28 de set de 2026

Pela primeira vez, Esquerda supera a Direita em interações na oitava semana

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Esta é a oitava edição do relatório Brasil Online, que apresenta o acompanhamento sistemático do debate político nas redes sociais realizado pelo grupo OBSERVA — Observatório de Conflitos na Internet — ao longo de todo o ciclo das Eleições Presidenciais de 2026. O objetivo desta série é mapear, de forma contínua, como a disputa entre os campos de esquerda e direita se manifesta nas principais plataformas digitais do país, combinando a análise de dados computacionais com análise qualitativa de conflitos online.

O recorte desta rodada compreende o período de 22 a 28 de setembro de 2026. Foram analisadas as publicações e interações de 164 perfis de lideranças políticas, influenciadores e jornalistas de destaque no debate público, distribuídos entre as plataformas X (Twitter), Instagram e TikTok. A partir desses dados, o relatório combina indicadores quantitativos de volume e interações, análise automatizada de sentimentos e emoções, com uma leitura qualitativa dos principais conflitos discursivos identificados no período.

Na semana de 22 a 28 de setembro de 2026 foram identificados conflitos classificados como políticos e morais, com diferenças incidências em relação às plataformas. O X foi a plataforma que identificou o maior número de conflitos (7), seguido do Instagram com 5 e o TikTok com 3. Os conflitos sobre a polêmica em torno da Nossa Senhora Aparecida e tolerância religiosa, a proibição das bets e a repercussão de conteúdo audiovisual publicado pelo canal Revelando que mostrando as relações entre uma Igreja evangélica, políticos do bolsonarismo e a família Voccaro, foram identificados nas três plataformas, foram os tópicos que mais mobilizaram a polarização no período, que pela primeira vez, desde o começo da campanha eleitoral os perfis de esquerda tiveram mais interações que os da direita. Esses conflitos acabaram por desdobrar em outras disputas entre os campos políticos, como o debate em torno da censura de conteúdos, da atuação da Justiça e da imprensa, conforme destacado abaixo:

  • Político:
    • Políticas públicas: conflito em torno da proibição das bets, com incidência nas três plataformas. Perfis de esquerda organizam a defesa da Medida Provisória destacando os efeitos do endividamento e para a saúde da população e buscam evidenciar que existe um grupo de empresários e influenciadores que se beneficiam. Perfis de direita optaram por construir um argumento que tenta vincular as bets, especialmente o jogo do Tigrinho, ao presidene Lula e que este teria ganho muito dinheiro com a regulação da aposta online em 2023, e estaria agindo de maneira eleitoreira para solucionar um problema que o próprio governo teria criado.
    • Política Internacional I: persistência do debate em torno da soberania nacional. Perfis de esquerda construíram o discurso em torno da fala de Lula na ONU, que afirmou que: “O Brasil não é quintal de ninguém”, para retomar a defesa da soberania, como um elemento central da campanha lulista. Já os perfis de direita contestaram esse enquadramento ao entender a fala presidencial como uma tentativa de instrumentalizar o espaço multilateral para fins eleitorais e atribuir a adversários uma ameaça à soberania.
    • Política Internacional II: conflito em torno da classificação das facções criminosas como grupos terroristas feitas pelo governo dos EUA. A direita mobilizou a questão do crime organizado para vincular o governo Lula a uma suposta tolerância diante das facções e vinculação com o Hamas. A resposta da esquerda seguiu outra direção, recorrendo ao argumento de que mais violência policial não resolverá os problemas de criminalidade, com exemplos de mortes de inocentes promovidas pela polícia.
    • Campanha eleitoral: conflito indireto, no qual não há um enfrentamento direto entre os campos políticos, sobre a visibilidade e espaço nos canais de comunicação (televisão e plataformas). Renan Santos utilizou sua exclusão do debate da Rede Globo (que acabou não acontecendo), para mobilizar o discurso de favorecimento à Lula e Flávio Bolsonaro. A esquerda construiu um discurso de censura pela Meta, a partir da exclusão do conteúdo da série Revelando (citado acima) e atuação da imprensa na rotulação da informação do caso da Nossa Senhora Aparecida como fake news.
    • Campanha eleitoral II: disputa pela representação do povo. As imagens de manifestações de eventos de campanha foram utilizadas como uma forma de produzir evidências visuais de legitimidade eleitoral. Flávio Bolsonaro construiu a imagem de libertador que vai salvar o país. Lula e seus apoiadores apresentaram imagens de apoio popular ao presidente e a importância de derrotar o bolsonarismo.
  • Moral:
    • Boato (religião): polêmica em torno da informação e censura de conteúdo que associa Flávio Bolsonaro a proposta de retirar Nossa Senhora de Aparecida como padroeira do Brasil. Perfis de direita mostraram diferentes estratégias discursivas. A direita bolsonarista acusou a campanha de Lula de estar fazendo fake news e negação. Já a direita não bolsonarista buscou mobilizar a defesa da liberdade religiosa e da necessidade de qualificação do debate eleitoral. No campo da esquerda, o discurso se articulou em torno da denúncia de censura e trouxe elementos para mostrar a relação de Flávio Bolsonaro com setores evangélicos contrários a Nossa Senhora e desconstruir o argumento da fake news e desconstruir o discurso da imprensa de fake news.
    • Escândalo Político: persistência do embate em responsabilização do outro grupo político pelos escândalos de corrupção. Neste semana, o destaque ficou por conta de vídeo gravado pelo perfil Revelando (com narração do humorista Fábio Porchat) mostrando as relações entre a Igreja da Lagoinha, políticos bolsonaristas e a família de Daniel Vorcaro, que conseguiu grande engajamento dentro dos perfis da esquerda. Os perfis de direita retomaram denúncias de envolvimento de Lulinha com casos de corrupção, como forma de desviar a atenção.

Na oitava semana acompanhada pelo Brasil Online registrou-se um aumento de pouco mais de 2% no volume de publicações e de quase 5% no volume de interações, mantendo a tendência de aumento registrada na semana anterior, após um breve período de queda. Pela primeira vez desde o início deste monitoramento, o volume de interações nas publicações de perfis da esquerda foi maior do que de perfis da direita.

A análise temporal de publicações e interações revelou que a esquerda teve mais publicações todos os dias, e houveram dois picos de interação: no dia 23/09, atrelado ao episódio da série Revelando sobre o caso do Banco Master e a associação com Flávio Bolsonaro, seguida pelas reações à remoção do conteúdo pela Meta, e no dia 25/09, relacionadas ao caso da Nossa Senhora de Aparecida. Após o dia 25, as interações foram caindo até chegar em seu menor nível no dia 28/09. Vale destacar que os perfis com mais interações nesse período foram os dos presidenciáveis Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos (nessa ordem), seguidos por Nikolas Ferreira e por Fábio Porchat.

A esquerda manteve a tendência de ter mais conteúdos positivos do que negativos neste período, enquanto a direita teve mais conteúdos negativos. Quanto às emoções, a alegria foi dominante tanto na esquerda (56,8%) como na direita (49,2%), seguidas pela raiva (27,8% na esquerda e 32,7% na direita) e pela surpresa (12,7% na esquerda e 16% na direita).

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