← Voltar para RelatóriosSemana 10 · 06 de out a 12 de out de 2026

No início do segundo turno, interações quase dobram e Esquerda lidera com 65,8% na décima semana

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Esta é a décima edição do relatório Brasil Online, que apresenta o acompanhamento sistemático do debate político nas redes sociais realizado pelo grupo OBSERVA — Observatório de Conflitos na Internet — ao longo de todo o ciclo das Eleições Presidenciais de 2026. O objetivo desta série é mapear, de forma contínua, como a disputa entre os campos de esquerda e direita se manifesta nas principais plataformas digitais do país, combinando a análise de dados computacionais com análise qualitativa de conflitos online.

O recorte desta rodada compreende o período de 6 a 12 de outubro de 2026. Foram analisadas as publicações e interações de 164 perfis de lideranças políticas, influenciadores e jornalistas de destaque no debate público, distribuídos entre as plataformas X (Twitter), Instagram e TikTok. A partir desses dados, o relatório combina indicadores quantitativos de volume e interações, análise automatizada de sentimentos e emoções, com uma leitura qualitativa dos principais conflitos discursivos identificados no período.

Na semana foram identificados conflitos classificados como políticos, morais e econômicos, com diferentes incidências em relação às plataformas. Boa parte dos conflitos foi em torno de disputas sobre os dois candidatos, com ambos os lados tentando associar o candidato adversário com corrupção, descaso com brasileiros, perda de direitos etc.

O evento que mobilizou maior número de publicações e interações tanto na direita como na esquerda foi o ato em apoio à candidatura de Lula na Avenida Paulista em 11 de outubro, que reuniu milhares de apoiadores e repercutiu em atos menores em outros municípios. Também foi observado nessa semana que parte das publicações com maior engajamento tratava do conflito associado às publicações de grandes mobilizações nas ruas do Brasil em apoio Lula, por parte da esquerda, enquanto que os perfis de direita veicularam conteúdos falsos que buscava relacionar imagens de depredações aos atos de apoio a Lula para desqualificar os apoiadores do petista. Vale destacar a incidência de um vídeo, também da direita bolsonarista, que foi posteriormente removido pelo TSE, por usar crianças para fazer ataques ao governo Lula e ao PT. Os principais conflitos estão destacados a seguir:

  • Político:
    • Campanha eleitoral: Os perfis de esquerda e de Lula convocaram sua base para ações mais incisivas nas ruas e nas redes neste segundo turno, mobilizando argumentos de medo da perda de benefícios e direitos sociais em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, enquanto apoiadores do último reagiram às publicações com zombarias e alegações de que a esquerda teria perdido a capacidade de dialogar com determinados setores da sociedade.
    • Campanha eleitoral II: foram identificados conflitos em torno das campanhas de rua organizadas pela esquerda durante o período observado. O mote principal das publicações da esquerda foi demonstrar a força de ocupação das ruas e direcionar o diálogo para a direita e para os indecisos, além de comparações com manifestações da extrema-direita, ressaltando o pacifismo e a defesa da democracia por parte da esquerda e a violência, inclusive com o uso de crianças por parte da direita. Por outro lado, a direita mobilizou imagens para acusar a esquerda de depredação de espaços públicos nos atos, buscando construir a imagem da esquerda enquanto força ideológica desordeira e perigosa. Perfis de esquerda tentaram defender o segmento ao acusar a direita de produzir conteúdos por Inteligência Artificial e espalhar desinformação.
    • Políticas públicas: o embate foi puxado pela esquerda, relacionado a entregas e promessas de políticas públicas por ambos os candidatos. A esquerda mobilizou principalmente a luta pelo fim da escala 6x1 (o período coberto por este relatório antecede a votação no Senado), e a direita mencionou discursos de que Flávio Bolsonaro controlará as contas no Brasil e que o resultado favorável a ele no primeiro turno já havia impactado na queda de juros e melhora da economia. Também foi mencionada pela esquerda a PEC das Praias, proposta defendida por Flávio Bolsonaro, como exemplo do que considera um projeto de país voltado a interesses privados em oposição à defesa do patrimônio e da soberania nacional.
    • Políticas públicas II: Direita e esquerda disputaram o protagonismo na proteção da população. Lula associou a candidatura de Flávio Bolsonaro à possibilidade de cortes em benefícios e recupera o governo de Jair Bolsonaro para sustentar essa interpretação. A direita bolsonarista procurou desfazer essa acusação de que Flávio cortaria programas como Bolsa Família e Farmácia Popular, e atribuiu ao PT cortes de benefícios e dificuldades no INSS.
    • Campanha eleitoral III: a esquerda levou a pauta da importância da mobilização nas plataformas digitais, centralizada sobretudo no encontro de Lula com jovens influenciadores e agora eleitos parlamentares, enquanto a direita mobilizou o discurso de que eles sempre tiveram protagonismo na comunicação digital e engajamento. O debate foi então centralizado em ataques pessoais entre Nikolas Ferreira e Ana Elisa, ambos eleitos deputados federais por Minas Gerais.
    • Campanha eleitoral IV: os dois espectros políticos incentivaram a criação de canais de WhatsApp para mobilizar as suas bases políticas, e houveram tanto acusações de que a direita estaria tentando impedir a mobilização da esquerda, como acusações de que a Meta estaria reduzindo o alcance das publicações de determinados perfis.
  • Moral:
    • Pânico moral: a direita mobilizou a comunidade evangélica a partir do medo de perseguição religiosa de um próximo governo do Lula, enquanto a esquerda mobilizou discursos de respeito à Nossa Senhora Aparecida em seu dia comemorativo (12).
    • Ofensa dirigida: Foi observado um embate em torno de um vídeo publicado por Nikolas Ferreira no dia 12 em que crianças faziam críticas a Lula e Lulinha, e a esquerda respondeu com um vídeo de inteligência artificial que associava os problemas do Brasil indicados por essas crianças à responsabilidade de Jair Bolsonaro. O TSE determinou a retirada do ar do vídeo de Nikolas Ferreira.
    • Boato/escândalo político: a direita bolsonarista mobilizou uma estratégia de reação às acusações da esquerda de que Flávio Bolsonaro representaria uma ameaça aos direitos de mulheres, pessoas LGBTQIAP+ e beneficiários de políticas sociais. Já a esquerda associou Flávio Bolsonaro às milícias do Rio de Janeiro.
  • Econômico:
    • Política econômica: a esquerda mobilizou conquistas do governo Lula, como redução do endividamento familiar com a proibição das bets, enquanto a direita bolsonarista acusou o PT de disseminar informações falsas sobre supostos cortes econômicos de Flávio Bolsonaro.

Na décima semana acompanhada pelo Brasil Online registrou-se uma diminuição do número de publicações (-16,61%), mas um aumento muito expressivo no volume de interações (+96,93%), sinalizando uma intensificação do debate político no segundo turno. A esquerda teve maior número de publicações nas três plataformas analisadas e, pela primeira vez desde o início do acompanhamento, obteve maior volume de interações. Esse padrão permaneceu em todos os dias do acompanhamento, com dois picos de engajamento para a esquerda: 07/10, puxado por publicações de campanha de Lula e Janones, e 11/10, com o ato na avenida Paulista. Os 5 perfis do levantamento que mais publicaram no período são da esquerda, mas os 5 com mais engajamento incluem Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro. Ainda assim, o perfil de Lula foi o que teve maior número de interações (44 milhões), o dobro do segundo colocado Nikolas Ferreira.

Também pela primeira vez desde o início do acompanhamento, a esquerda teve mais conteúdos negativos do que positivos, enquanto a direita manteve seu padrão de também ter mais conteúdos negativos. No entanto, este foi o tipo de conteúdo com menor média de interações. A esquerda manteve seu padrão de manter a alegria como emoção dominante (55,4%), que também foi a emoção predominante na direita (46,7%).

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