← Voltar para RelatóriosSemana 9 · 29 de set a 05 de out de 2026

Na semana do 1º turno, interações sobem 61,4% e Direita concentra 70,3% do engajamento

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X (Twitter)InstagramTikTokPolíticoMoralEconômico

Esta é a nona edição do relatório Brasil Online, que apresenta o acompanhamento sistemático do debate político nas redes sociais realizado pelo grupo OBSERVA — Observatório de Conflitos na Internet — ao longo de todo o ciclo das Eleições Presidenciais de 2026. O objetivo desta série é mapear, de forma contínua, como a disputa entre os campos de esquerda e direita se manifesta nas principais plataformas digitais do país, combinando a análise de dados computacionais com análise qualitativa de conflitos online.

O recorte desta rodada compreende o período de 29 setembro a 5 de outubro de 2026. Foram analisadas as publicações e interações de 164 perfis de lideranças políticas, influenciadores e jornalistas de destaque no debate público, distribuídos entre as plataformas X (Twitter), Instagram e TikTok. A partir desses dados, o relatório combina indicadores quantitativos de volume e interações, análise automatizada de sentimentos e emoções, com uma leitura qualitativa dos principais conflitos discursivos identificados no período.

Na semana foram identificados conflitos classificados como políticos, morais e econômicos, com diferentes incidências em relação às plataformas. O X foi a plataforma que identificou o maior número de conflitos (7), seguido do Instagram e o TikTok, ambos com 4 ocorrências. Os conflitos sobre a polêmica em torno da Nossa Senhora Aparecida e intolerância religiosa, já identificado na semana anterior, o cancelamento do debate da Globo e a polêmica em torno da descontextualização da fala de Lula sobre a prevenção do câncer de próstata, explorada principalmente por Nikolas Ferreira para atacar Lula e Janja, tiveram incidência nas três plataformas estudadas. Esses conflitos acabaram por desdobrar em outras disputas entre os campos políticos, como o debate em torno da censura de conteúdos, da atuação da Justiça e da imprensa, segurança pública, credibilidade dos institutos de pesquisa, conforme destacado abaixo:

  • Político:
    • Campanha eleitoral: o cancelamento do debate presidencial da TV Globo, que aconteceria no dia 1 de outubro, foi o centro de confronto entre os campos polarizados na reta final do primeiro turno. A direita bolsonarista enquadrou o episódio como censura institucional (com novos ataques ao Judiciário), apoiando a decisão de Flávio Bolsonaro de desistir de participar no debate. Já a esquerda classificou a desistência do candidato do PL como covardia, retomou o episódio do desmaio de Flávio em um debate da prefeitura do Rio de Janeiro em 2016, e enquadrou a desistência de Lula do debate da TV Globo como escolha estratégica;
    • Políticas públicas: o canal do Youtube Calma Urgente lançou outro episódio da série Revelando, dessa vez sobre segurança pública. A esquerda mobilizou a questão da segurança pública questionando por que Flávio Bolsonaro atuou como advogado em defesa de um policial que matou uma criança de 5 anos, enquanto a direita debateu segurança pública dizendo que o governo Lula não tem dado respostas eficazes aos problemas de segurança e associando governos petistas com criminosos;
    • Campanha eleitoral II: mesmo após positivo de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, a direita manteve o discurso de suspensão sobre o processo eleitoral e questionamento sobre as pesquisas de intenção de voto, defendendo uma “CPI dos institutos”;
    • Campanha eleitoral III: os principais candidatos disputaram narrativas de representação do povo e convidaram seus eleitores a demonstrar apoio presencialmente nos atos finais da campanha do primeiro turno e virtualmente ao compartilhar posicionamento e intenção de voto;
    • Campanha eleitoral IV: “nós” versus “eles”. Os perfis de esquerda buscaram construir uma abordagem predominantemente otimista, associando Lula ao futuro, à democracia, à soberania e à defesa dos direitos sociais. Por outro lado, a direita bolsonarista também falou de futuro e de nação, mas pela chave dos ataques, mobilizando a denúncia da corrupção, novamente o confronto com o STF e a promessa de ruptura com o sistema político falido, apostando no significante Mudança e defesa do voto útil para tirar o PT do poder. Augusto Cury (Avante) tentou se apresentar como alternativa à polarização;
    • Campanha eleitoral V: durante a apuração dos votos (4) e o dia seguinte (5), as redes foram ocupadas por publicações comemorando ou criticando resultados de parlamentares e alguns governadores eleitos e debatendo estratégias para o segundo turno. Além disso, houveram conflitos em torno de possíveis interferências em urnas eletrônicas que apresentaram problemas.
  • Moral:
    • Campanha eleitoral: ambos os grupos políticos procuraram apresentar o adversário como usuário ilegítimo da religião e reivindicar a representação do eleitor cristão: a esquerda mobilizou referências a Nossa Senhora Aparecida e ao Papa Leão XIV buscando desvincular o catolicismo do bolsonarismo, enquanto a direita se esforçou para enquadrar Lula como “falso devoto”;
    • Temas sociais: a direita divulgou um corte de fala de Lula sobre exames de prevenção, com ocorrência nas três plataformas, descontextualizando para insinuar um conteúdo sexual contra meninas, e os cortes precisaram ser apagados por decisão judicial. A esquerda respondeu a este conteúdo denunciando a desinformação, e também mobilizou questões sobre mulheres ao salientar a importância do voto feminino. A discussão também registrou ofensas dirigidas entre Nikolas Ferreira e Janja;
    • Escândalos políticos: disputa discursiva em torno dos escândalos que cercaram o período eleitoral (caso Master, Black Horse, Rachadinhas de Flávio, CPI do INSS, etc), com forte incidência no TikTok, na qual a esquerda busca concentrar a suspeição de corrupção e envolvimento com a milícia de Flávio Bolsonaro, enquanto a direita desloca as acusações para Lula e integrantes do STF.
  • Econômico:
    • Política econômica: uma fala de Lula sobre o uso do cartão de crédito pela população mobilizou uma disputa no X. A direita acusou Lula de querer limitar a liberdade financeira da população, e questionou a maneira como o próprio Lula e família escolhem seus gastos pessoais, enquanto a esquerda lulista trouxe a discussão de volta para o endividamento, mobilizando questões de proteção social e desigualdade econômica.

Na nona semana acompanhada pelo Brasil Online registrou-se uma diminuição do número de publicações (-8,8%), mas um aumento do número de interações (+61,4%), sinalizando uma intensificação do debate político, contudo centrado em poucos perfis, principalmente no campo da direita, no qual 5 perfis foram responsáveis por 78% do engajamento, com destaque especial para Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Lucas Pavanato e Eduardo Bolsonaro. Entre os perfis do campo progressista, há uma maior pulverização (distribuição) do engajamento, se destacando Lula, Erika Hilton, André Janones e Janja. A direita teve maior número de interações totais, contudo a maior parte (acima de 80%) se concentrou no Instagram, plataforma com as maiores métricas. No X houve um maior equilíbrio em termos de engajamento, no entanto no TikTok os perfis de humoristas e influenciadores deram à esquerda maior engajamento.

A análise temporal de publicações e interações revelou que a esquerda teve mais publicações entre os dias 29 setembro a 3 de outubro, sendo que nos dias 4 e 5 de outubro a direita teve seu maior volume, celebrando os bons resultados eleitorais. Em relação ao volume de interações, os perfis de direita tiveram durante todo o período maior engajamento, com pico no dia 04/10, dia seguinte a apuração dos resultados do primeiro turno.

A esquerda manteve a tendência verificada desde o começo do estudo de ter mais conteúdos positivos do que negativos neste período, enquanto a direita teve mais conteúdos negativos. Quanto às emoções, a alegria foi dominante tanto na esquerda (60,2%) como na direita (51,4%), seguidas pela raiva (25% na esquerda e 31% na direita) e pela surpresa (12,8% na esquerda e 15% na direita), frequências próximas às encontradas nos relatórios anteriores, o que sinaliza um padrão na comunicação entre os campos. No caso, mesmo com os bons resultados da direita no primeiro turno, os perfis do campo mantiveram uma estratégia de mobilização afetiva que combina sentimentos negativos com emoções de alegria e raiva.

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