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Debate da Band e fim da escala 6x1 elevam interações em 54,6% na décima primeira semana

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Esta é a décima primeira edição do relatório Brasil Online, que apresenta o acompanhamento sistemático do debate político nas redes sociais realizado pelo grupo OBSERVA — Observatório de Conflitos na Internet — ao longo de todo o ciclo das Eleições Presidenciais de 2026. O objetivo desta série é mapear, de forma contínua, como a disputa entre os campos de esquerda e direita se manifesta nas principais plataformas digitais do país, combinando a análise de dados computacionais com análise qualitativa de conflitos online.

O recorte desta rodada compreende o período de 13 a 19 de outubro de 2026. Foram analisadas as publicações e interações de 164 perfis de lideranças políticas, influenciadores e jornalistas de destaque no debate público, distribuídos entre as plataformas X (Twitter), Instagram e TikTok. A partir desses dados, o relatório combina indicadores quantitativos de volume e interações, análise automatizada de sentimentos e emoções, com uma leitura qualitativa dos principais conflitos discursivos identificados no período.

Na semana foram identificados conflitos classificados como políticos e morais, com diferentes incidências em relação às plataformas. Boa parte dos conflitos foi em torno de disputas sobre os dois candidatos, e dessa vez políticas públicas (Bolsa Família, fim da escala 6 x 1, segurança pública, etc) apareceram como um tema mais recorrente do que nas edições anteriores. O evento que mobilizou maior número de publicações e interações tanto na direita como na esquerda foi o debate da Band, realizado no dia 18 de outubro. Os principais conflitos estão destacados a seguir:

  • Político:
    • Campanha eleitoral: o debate presidencial na Band mobilizou diversos conteúdos nas redes. Os perfis de esquerda se mobilizaram para cobrar a quebra do sigilo bancário de Flávio Bolsonaro. Já a direita bolsonarista não tratou desse tema, e buscou colocar que Lula estava nervoso no debate e que estaria tentando instaurar uma perseguição à Flávio.
    • Políticas públicas: a esquerda repercutiu a fala da assessora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro sobre cortes e transições no Programa Bolsa Família, enquanto a direita reagiu dizendo que o programa estaria garantido e acusou a esquerda de disseminar desinformação.
    • Políticas públicas II: organizações e atores políticos da esquerda buscaram expor a ausência de representantes associados à direita nos espaços de discussão do fim da escala 6x1, e setores da direita reagiram às acusações, enquadrando-as como uma campanha de calúnia promovida por seus adversários e negando que o bolsonarismo fosse contrário à discussão da proposta.
    • Políticas públicas III: o debate sobre segurança pública foi mobilizado pela direita enfatizando suas posição de combate às organizações criminosas e medidas rígidas de enfrentamento à criminalidade, e a esquerda afirmando seu compromisso com o combate às facções criminosas e à violência policial e falando sobre a PEC da Segurança Pública.
    • Campanha eleitoral II: a direita recuperou o discurso de Jair Bolsonaro e seus apoiadores como vítimas de perseguição política, e enquadrou o STF, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, recuperando a narrativa usada no primeiro turno. Além disso, mobilizaram o discurso da desconfiança do processo eleitoral, presente nas eleições de 2018 e 2022. A esquerda direcionou suas críticas à atuação de canais digitais da direita e às decisões de regulação do ambiente digital, sobretudo criticando a derrubada do canal WhatsApp “Exército do Lula”, por ministros ligados ao bolsonarismo (Nunes Marques e André Mendonça).
    • Campanha eleitoral III: os candidatos ressaltaram ações de campanha, como caminhadas pelo país e criação de uma identidade para seus eleitores. Também foi observado, no TikTok, embates entre direita bolsonarista e direita não-bolsonarista (Missão).
  • Moral:
    • Ofensa dirigida: observou-se uma disputa política em torno da representação e dos direitos das mulheres. A direita acusou a esquerda de não defender pautas femininas, a partir de acusações da lobista Roberta Moreira Luchsinger, e também atacaram a primeira-dama Janja identificando-a como mulher de características impróprias ao conservadorismo. A esquerda salientou que a direita bolsonarista votou contra a expansão dos direitos dos direitos trabalhistas femininos e de proteção à maternidade.
    • Pânico moral: o pastor Silas Malafaia acusou Lula de tentar promover uma guerra religiosa para obter vantagens políticas, e a esquerda criticou a instrumentalização da fé, sugerindo que determinados grupos religiosos utilizavam o nome de Deus para manipulação de fiéis e disseminação de discursos de ódio.
    • Pânico moral II: a pandemia da Covid-19 foi um ponto de tensão, com a esquerda recorrendo a relatos de pessoas que perderam familiares para lembrar o eleitorado da gestão de Jair Bolsonaro durante a crise sanitária que vitimizar mais de 700 mil brasileiros, e a direita bolsonarista buscou ressaltar as ações da gestão de Bolsonaro e rebatendo acusações sobre a responsabilidade do presidente.
    • Escândalo político: apoiadores de Lula mobilizaram discursos associando um eventual governo de Flávio Bolsonaro ao risco de desdemocratização.

Na décima semana acompanhada pelo Brasil Online registrou-se um aumento de aproximadamente 50% no número de publicações, e um aumento de quase 55% no volume de interações, o que sinaliza um aumento da intensificação do debate político no segundo turno, já notada na semana anterior. A esquerda teve maior número de publicações nas três plataformas analisadas e, pela segunda vez desde o início do acompanhamento, obteve maior volume de interações - mantendo o feitio da semana anterior. Esse padrão permaneceu em todos os dias do acompanhamento, com dois picos de engajamento para a esquerda: 14/10, o dia da votação do fim da escala 6x1 no Senado, e 18/10, que foi o dia do debate da Band e também o pico das publicações da direita. Em relação ao engajamento, Lula liderou no número de interações (54.7 milhões), seguido por Janones com 34.7 milhões. Em seguida vem Nikolas Ferreira (40.7 milhões), Erika Hilton (33.1 milhões) e Flávio Bolsonaro (29.6 milhões).

Em relação a análise de sentimentos, também pela segunda vez desde o início do acompanhamento, a esquerda e direita tiveram maior número de conteúdos negativos. No entanto, este foi o tipo de conteúdo com menor média de interações. A esquerda manteve seu padrão de manter a alegria como emoção dominante (55,7%), que também foi a emoção predominante na direita (51,7%), com resultados bem parecidos entre ambos os campos.

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