Esta é a primeira edição do relatório Brasil Online, que inaugura o acompanhamento sistemático do debate político nas redes sociais realizado pelo grupo OBSERVA — Observatório de Conflitos na Internet — ao longo de todo o ciclo das Eleições Presidenciais de 2026. O objetivo desta série é mapear, de forma contínua, como a disputa entre os campos de esquerda e direita se manifesta nas principais plataformas digitais do país.
O recorte desta rodada compreende o período de 4 a 10 de agosto de 2026, marcado pelas últimas convenções partidárias e pela formalização das candidaturas à Presidência da República. Nele, foram analisadas as publicações e interações de 162 perfis de lideranças políticas, influenciadores e jornalistas de destaque no debate público, distribuídos entre as plataformas X (Twitter), Instagram e TikTok. A partir desses dados, o relatório combina indicadores quantitativos de volume e engajamento com uma leitura qualitativa dos principais conflitos discursivos identificados no período.
Como primeira edição, este relatório estabelece a linha de base para as próximas publicações semanais do OBSERVA, que acompanharão a evolução da polarização política online até o pleito presidencial de outubro de 2026. Cada nova rodada permitirá comparar tendências, identificar mudanças na intensidade dos conflitos e observar como os temas da campanha se transformam ao longo do tempo.
Os dados mostram que a produção de publicações é relativamente equilibrada (54,2% Esquerda x 45,8% Direita), mas as interações são fortemente assimétricas a favor da Direita (66,3%), com média de engajamento por post mais que o dobro da Esquerda — padrão que se repete nas três plataformas, sendo mais extremo no TikTok.
Em relação a análise dos conflitos, podemos destacar três eixos temáticos recorrentes em mais de uma plataforma:
- Conflito Político (campanha) e Moral envolvendo a escolha de Alfredo Gaspar para vice presidente na chapa de Flávio Bolsonaro e as investigações que pesam contra ele (X e Instagram);
- Conflito Político e Econômico em torno dos “cortes” do debate entre Tarcísio de Freitas e Haddad, com enquadramentos antagônicos entre os campos sobre modelos de políticas públicas (segurança) e política econômica (privatização);
- Conflito Político (relações institucionais) envolvendo ataques ao STF e discurso de vitimização, por parte da direita, e sentido de democracia (Instagram e TikTok) entre ambos os campos.
A polarização é sustentada por poucos eixos temáticos recorrentes, que mobilizam cadeias de equivalência ideológica e afetiva antagônicas. Perfis de direita constroem um discurso que engloba demandas liberais econômicas (defesa da privatização), retórica do punitivismo penal e associa a democracia com a ausência de mecanismos de regulação estatal. Ao mesmo tempo que, no campo afetivo, o bolsonarismo se aproveita da data dos dias dos pais, para mobilizar o significante de perseguição e injustiça contra Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. No campo da esquerda as demandas mobilizadas são de defesa de um Estado democrático ativo que atue na regulação das redes digitais, na promoção da justiça social para o combate à violência e contra as privatizações de serviços públicos. No campo afetivo, a polarização com o campo conservador se articula no sentido da família, com a defesa de uma família plural e diversa, e da valorização do papel das mulheres.